A situação
Carlos ganha R$ 25 mil por mês, tem reserva e quer investir. Ouviu falar que dá para ganhar dinheiro com consórcio: entrar, ser contemplado e vender a carta com ágio, um valor a mais que quem compra paga para ter o crédito na hora. Ele quer saber se isso vale mais do que deixar o dinheiro na renda fixa.
Os números
Consórcio
- Parcela inicial
- R$ 1.844/mês
- Custo total
- R$ 512 mil
- Quando tem o bem
- Entre o 1º e o 180º mês
Financiamento imobiliário (SFH/SFI)
- Parcela inicial
- R$ 3.814/mês
- Custo total
- R$ 502 mil
- Quando tem o bem
- Em 1 a 3 meses, depois da aprovação
Poupar e comprar à vista
- Parcela inicial
- R$ 1.844/mês guardados
- Custo total
- R$ 321 mil
- Quando tem o bem
- Em cerca de 7 anos e 10 meses
Estes números mostram o custo de ter a carta. Em valores de hoje, consórcio e financiamento ficam perto um do outro, porque o INCC, que reajusta a carta, tem subido mais que a inflação. O ganho do investidor depende de outra coisa: quanto alguém vai pagar pela carta depois da contemplação.
O que o diagnóstico diria
Os três caminhos que Carlos comparou
- Vender a carta contemplada. Se for contemplado cedo, com lance, ele pode vender a carta com ágio. O ágio não é garantido: depende da procura e dos juros do momento. Sem ágio, ele só recupera parte do que pagou.
- Usar a carta para alavancar patrimônio. Comprar um imóvel para alugar com a carta e pagar as parcelas com o aluguel. Funciona se o aluguel cobrir boa parte da parcela, que sobe todo ano.
- Deixar o dinheiro na renda fixa. Com a Selic alta, o dinheiro aplicado rende bem e sem risco de ágio. É a referência para qualquer comparação.
A decisão
Carlos decidiu não tratar o consórcio como aposta. Entrou numa cota pensando em usar a carta para comprar um imóvel de aluguel, e deixou a maior parte do dinheiro na renda fixa. Se surgir um bom ágio depois da contemplação, vender continua sendo uma opção.